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maio 06 2014

Ser filho do axé é fácil……, complicado é ser filho de Axé.

terreiros

 

Texto do meu amigo Fernando Lima. Que sirva de exemplo para muitos de nós que estamos perdidos e sem rumo. Axé Fernando e obrigado pelo texto.

 

Quando decidimos colocar um jogo e/ou tomar ”axé” em uma casa e nela permanecer como filho de santo, seja feito ou não feito, devemos respeitar os que ali estavam antes da nossa chegada e procurar nos adaptar. Eu sei bem que essa adaptação não é fácil, porém é necessária. Cada pessoa se adapta de acordo com a sua personalidade, sem perder sua identidade e respeitando as leis da nova casa.
Essa adaptação é um tanto mais complicada quando o filho já vem de outra casa, com outros costumes e muitas vezes outros ensinamentos. Essa adaptação pode ser um tanto lenta.
Quando nos introduzimos em uma FAMÍLIA de santo, estamos firmando um laço de cumplicidade com aqueles que nos acolheram, cada qual de sua forma. Diferente da nossa família sanguínea, essa sim podemos escolher.
Fazer santo no meu ponto de vista é um passo muito importante, atrevo-me até a dizer que seja um divisor de águas na vida do Elégùn. Passo esse que deve ser dado com muita precisão. A partir dai cria-se um laço que deveria ser ETERNO. A escolha de uma casa de santo, de uma família de santo e de um zelador ou zeladora deveria ser uma decisão pra toda a vida. Não recrimino aqueles que saíram da sua casa ”berço” cada um procura a sua melhora, cada um escolhe o caminho que quer trilhar. Apenas digo que, o RENASCIMENTO não se apaga! Uma vez feito não se desfaz ou se faz novamente. Não se renega o ”útero” pelo qual se foi gerado, não se apaga os ”braços” pelo qual se foi amparado, não se esquece o ”seio” que lhe deu alimento e muito menos deve ser desonrado aquele que passou a mão em sua cabeça(seu zelador/zeladora).
Por isso, pense bem antes de firmar raízes com uma casa, aquelas pessoas que lhe acolheram e depositaram em você confiança aos poucos não estão ali por brincadeira. O chamado a vida espiritual é algo muito serio, pra ser tratado apenas como um passa tempo.
Honre sua casa, honre sua família, seja bom exemplo, leve consigo a satisfação de ser uma pessoa do axé.
Levante-se para ensinar, mas também saiba abaixar-se para aprender.
Não se compare ou sinta inveja dos demais membros da casa no Àiyé tem espaço para todos. Cada qual brilhará a seu modo.

VIVER EM FAMÍLIA É ISSO, SABER RESPEITAR AS DIFERENÇAS!

Dedico esse texto ao meu Sacerdote, aquele que eu escolhi para cuidar da minha vida espiritual, meu PAI ROQUE D`OBALUAYÊ, o qual tenho muito respeito, apresso, carinho e amor. Por ter o dom de cuidar, por vir a terra com a linda missão de olhar por todos nós, seus filhos.
Dedico também a toda a minha família de santo, do mais novo ao mais velho, como agradecimento a acolhida e desejo cada vez mais a firmeza da união em nossa casa de axé….

Fernando Lima 2014

Sobre o autor

tomeje

Axé à todos. Sou o Tomeje. Iniciado em 27 de outubro de 1987 para o Orixa Ogun. Desde que conheci a religião dos Orixás eu sempre me preocupei em apreender qual a função da religião e da religiosidade na vida das pessoas. Eu quero entender como isso funciona. Como a religião e a religiosidade formam a fé de alguém. São muito anos de perguntas, muitos questionamentos pessoais e poucas respostas e creio que seguirei assim, aprendendo sempre.
Agora, graças a essa nova tecnologia, tenho uma oportunidade de interagir e trocar experiencias e vivencias dentro da religião e assim aprender uns com os outros. Eu mais que vcs, com certeza, aprendo a cada pergunta.
Eu tento compreender a nossa religião pensando sempre numa comunidade que se ajuda mutuamente. E não é diferente neste meio de comunicação, que assim como os livros, discos, cadernos, fitas, dvd's e outras ferramentas de divulgação de conhecimentos, este blog é somente mais uma forma de comunicação.
Porém este nova possibilidade não deve ser pressuposto para descuidarmos do aprendizado com nossos mais velhos nas roças, no seu dia a dia. Ainda que por vezes seja difícil, eu aprendi que é na roça que se vive a realidade da religião.
Meu trabalho aqui é muito mais do que só falar e responder questionamentos a cerca da religiosidade. Meu objetivo é promover a discussão de assuntos que nos afetam direta ou inderetamente, é lembra-los que somos parte do TODO, que somos uma só comunidade e que o indivíduo, apesar de dos seus anseios pessoais, está inserido numa família de axé e, neste contexto, quanto mais se pensa coletivamente, mais o individuo se fortalece.
Candomblé só se faz no coletivo.
Sejam todos muito bem vindo a este projeto e que nossos queridos Orixas nos encaminhem sempre no melhor destino. Axé, Tomeje.

9 comentários

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  1. Eduardo

    Boa noite tomeje.
    Gostaria de saber mais sobre pessoas iniciadas de axe. O q seria isso ? So consegui entender que uma pessoa iniciada de axe pode incorporar depois de anos de iniciado. Desculpe a ignorancia mas o sr. Poderia me dar uma explicação sobre esse assunto.

    1. tomeje

      Eduardo seja bem vindo. As Casas tradicionais repudiam este termo por que não aceitam iniciar alguém sem que esta pessoa manifeste orixa. Nossa religião tem várias formas de confirmar se a pessoa manifesta ou não Orixa, portanto não há necessidade disso. Na minha opinião isso só aceito quando crianças muito novas, de colo, precisam ser iniciadas, mas mesmo assim o jogo vi definir que ela vai manifestar orixa. O que não concordo é com essa coisa dúbia de ‘mais tarde pode ser que…….” Ou é rodante ou não é. Asé e felicidade irmão. Baba Tomeje

  2. Kassandra lpl

    Ola boa tarde, motumbà a todos, eu fui iniciada por nescecidade, em todos os jogos que fiz com pessoas diferente, mostrava que mãe oxum queria feitura e não queria esperar mais, fiz e mãe oxum não nunca se manifestou, chorei fiquei com raiva pois fiz pelo meu filho e porque no jogo confirmava, minha ya disse que sai de axé.
    Qual é o significado disso? Pois não tenho nenhuma sensação, antes sentia tonturas constante dores de cabeça que não passavam , tremores, agora não sinto nada.
    Será uma que mãe oxum vai vir na minha cabeça um dia? Pois hoje tenho a sensação que não fiz santo seis lá, sinto um vazio, parece que não teve um sentido minha feitura, fora as perguntas que algumas pessoas me fazem a esse respeito e não sei responder nem explicar oque aconteceu, da vontade de abandonar tudo.

    1. tomeje

      Kassandra seja bem vinda, há poucos dias eu respondi sobre este mesmo tema, veja se esta resposta te ajuda. Mas antes eu quero dizer que quem faz este tipo de chantagem dizendo que vc tem que se iniciar por que o Orixa quer e para que o seu filho não sofra, é terrorista, aproveitador e deveria estar fora da religião.
      Veja a resposta:
      As Casas tradicionais repudiam este termo (feito de axé) por que não aceitam iniciar alguém sem que esta pessoa manifeste orixa. Nossa religião tem várias formas de confirmar se a pessoa manifesta Orixa ou não manifesta Orixa, portanto não há necessidade disso, dessa invenção. Na minha opinião isso de iniciar alguém sem a manifestação de Orixa só aceito quando crianças muito novas, de colo, precisam ser iniciadas, mas mesmo assim o jgo vai definir que ela vai manifestar orixa. O que não concordo é com essa coisa dúbia de ‘”mais tarde pode ser que…….” Ou é rodante ou não é. Asé e felicidade irmã. Baba Tomeje.
      Quando te perguntarem sobre essa questão mande perguntar para a pessoa que te iniciou. Eu, baba Tomeje, sempre falo o seguinte: Se meu Pai me disser que um filho de santo meu é de Fada Sininho, eu nunca duvidarei dele porque confio nele e sei que ele é responsável. Sei que a minha raiz, Asé Oxumare, vai me explicar sobre “a tal da fada sininho”. Entende?????? Quem tem que responder é a pessoa que te disse que vc é rodante, vc não pode ser responsabilizada pela incompetência alheia.

  3. Kassandra lpl

    Obrigada baba Tomeje pelo esclarecimento e atenção, adoro o seu brog, esta sendo muito útil para mim neste momento que estou vivendo Parabéns.

  4. Ju

    Bom dia,

    Uma dúvida/informação por gentileza, quando um yawo completa 7 anos e dá sua obrigação ele se torna egbomi… E se esse yawo não tiver missão de abrir uma casa ele terá “direito aos seus direitos”? Ou o pai/mãe de santo pode se recusar a entregar seus direitos?

    1. tomeje

      Jú, seja bem vinda ao blog. Primeiro é extremamente importante a sua pergunta, ela rende um texto maravilhoso sobre isso. Vamos devagar…. Obrigação de sete anos é totalmente diferente de Deká/Cuia. Você conhece a hierarquia da família Yorubá? Nem todos tem a função de iniciar uma nova família, por isso, existem diversos cargos na família de axé e são tão importantes quanto ser sacerdote, certo? Portanto, não! Nem todos devem ou podem abrir casa. Tenho plena convicção de que é por causa desta farra de entrega de Deká que o candomblé está neste estado lastimável, tem muita gente que não deveria ser sacerdote e está ai fazendo besteira, certo????? Deveriam ficar nas suas Casas como mais velhos e cumprir suas funções.
      Direito quem dá é Olodumare e isso é visto num bom jogo. A função sacerdotal não é um direito que a pessoa tem por completar sete anos. É muito mais digno e honesto a pessoa ser um bom Egbom do que um mau sacerdote, não acha?? Asé e felicidade, não estou sendo grosso contigo e nem é meu desejo, ok???? Baba Tomeje.

  5. RCG

    Salve Tomeje!

    Até hoje não consegui ir a um terreiro após aquele acontecimento. A vida tem tomado um caminho diferente! 🙂

    Aproveitando o tema acima queria te fazer uma pergunta, já sabendo que sua resposta será no sentindo de um “bom jogo” haha!

    Ocorre que eu tive um sonho enorme e em uma parte do sonho uma senhora começou a me fazer perguntas tipo: Quem vai ser responsável pelo seu culto aos ancestrais? Quem vai ser a sua mãe de santo? Quem vai não sei o que la? E eu incorporado ia respondendo com um nome a cada pergunta. Quando acordei apenas me recordei de alguns nomes.

    É possível por intermédio do jogo confirmar quem deverá ser meu pai ou mãe? Ou é mais uma questão pessoal? A verdade Tomeje é que não entra em minha cabeça alguns taboo e quizilas. Desta forma não possuo muito desejo de ser do candomblé. Por outro lado, volta e meia eu tenho um sonho bastante longo e significativo, como se alguém estivesse a me chamar e a me lembrar de alguma promessa que eu fiz no passado. Fora o fato de eu ser rodante. Então fico nesta dúvida. E quando vou jogar a dúvida só aumenta! KKKKK

    Antes isso me perturbava muito. Hoje tento levar com mais tranquilidade. De qualquer forma queria bater este papinho com você. Não que você vai acabar com minhas duvidas, mas sempre é bom conversar com amigos.

    Até.

    1. tomeje

      RCG em primeiro lugar quero te agradecer pelo carinho de ver no nosso blog um amigo, e em mim em particular. Certa vez eu estava jogando pra uma amiga/cliente e o jogo indicou que ela precisa procurar um jogo específico, Ifa, e eu fui citando os Babalawos que eu conheço e o jogo foi respondendo sim ou não até que apenas um foi escolhido. Isso também aconteceu quando eu saí da Casa da minha querida Yá e precisei procurar um sacerdote, o jogo indicou claramente quem eu deveria procurar naquele momento, quem seria melhor pra cuidar de mim, e assim fiz nos dois casos, eu procurei quem o jogo indicou. Nós cremos que antes de nascer nós determinamos os rumos que tomaremos na vida religiosa. Seus sonhos podem sim indicar estes rumos. Agora é dar prosseguimento ao que sua espiritualidade está te mostrando. Quanto os tabus e ewos (proibições), elas existem em todas as religiões e tem como finalidade moldar nosso caráter, nos manter em sintonia com a religião, nos aprender a ser humildes e por ai vai. O problema é separar os tabus e ewos deste monte de invencionismos e regras sem fundamento que só servem pra humilhar as pessoas. Por isso eu sempre sou enfático em dizer que o caminho correto são as Casas tradicionais ou suas Casas descendentes, nelas vc sempre terá amparo na tradição e respeito ao Orixa.
      Então……. procure um bom jogo logo amigo, não deixe o tempo passar. Sua espiritualidade, me parece, quer te ajudar, mas precisa que vc faça a sua parte. Asé e felicidades, Baba Tomeje.

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