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nov 21 2017

Nàná Não Aceita Render Homenagens a Ògún

Nàná Não Aceita Render Homenagens a Ògún

Hoje vamos discorrer uma antiga história do Candomblé, muito versada nos tradicionais Terreiros de Salvador, a qual aborda dois dos mais venerados Òrìsàs do panteão Nàgó; Nàná a antiga Deusa dos pântanos e Ògún, o Deus do ferro. Nàná e Ògún foram participar de um clero no qual estariam as demais Divindades do Candomblé. O objetivo dessa reunião era discutir os poderes de cada Òrìsà, bem como a importância desses poderes entre eles. Logo no início, eles destacaram a importância de Òsàlá, a Divindade que criou os seres, que por meio do sopro divinizado dá vida à humanidade. Salientaram os poderes divinatórios de Orunmilá, o testemunha do destino das pessoas, aquele que se senta ao lado de Deus. Lembraram-se sobre o papel singular de Èsù para a vida não somente dos humanos, mas também para os demais Deuses. Recordaram da importância de Ori, a Divindade que cuida da cabeça das pessoas. Dado momento da reunião, todos começaram a ressaltar a importância de Ògún. Os Òrìsàs teciam elogios ao Deus do ferro, mencionando que é por meio dos instrumentos construídos por Ògún que eles podem viver. Um disse que é por meio da enxada que Ògún fabricou que é possível tirar o alimento da terra. Outra Divindade mencionou que eles comem por meio do facão de Ògún. Eles exclamavam: “Nós precisamos muito de Ògún, todos devemos prestar homenagens a Ògún”. Nesse momento, no entanto, Nàná mostrou seu descontentamento: “Como assim, o trabalho de Ògún não é tão importante com vocês estão falando”. Nàná disse ainda, que não dependia de Ògún para nada e que jamais iria lhe render homenagens. Ògún, por sua vez afirmou: “Nàná, se todas as outras Divindades concordam em me prestar homenagens, você também deve fazer”. Desse modo, Nàná e Ògún ficaram um longo tempo discutindo, cada um defendendo os seus argumentos. Nàná finalizou dizendo que ela não prestaria homenagem sequer a Ògún, que a interpelou dizendo: “Já que é assim, você Nàná não poderá usar nada que é meu por origem. Você não poderá usar a faca, ou nada que seja de metal em seu culto”. Todos acharam justo e, a partir desse dia, no culto de Nàná não utilizamos as ferramentas confeccionadas por Ògún, o Deus do ferro. Que Òsùmàrè Aràká continue olhando e abençoando todos!
Casa de Oxumarê

Sobre o autor

tomeje

Axé à todos. Sou o Tomeje. Iniciado em 27 de outubro de 1987 para o Orixa Ogun. Desde que conheci a religião dos Orixás eu sempre me preocupei em apreender qual a função da religião e da religiosidade na vida das pessoas. Eu quero entender como isso funciona. Como a religião e a religiosidade formam a fé de alguém. São muito anos de perguntas, muitos questionamentos pessoais e poucas respostas e creio que seguirei assim, aprendendo sempre.
Agora, graças a essa nova tecnologia, tenho uma oportunidade de interagir e trocar experiencias e vivencias dentro da religião e assim aprender uns com os outros. Eu mais que vcs, com certeza, aprendo a cada pergunta.
Eu tento compreender a nossa religião pensando sempre numa comunidade que se ajuda mutuamente. E não é diferente neste meio de comunicação, que assim como os livros, discos, cadernos, fitas, dvd's e outras ferramentas de divulgação de conhecimentos, este blog é somente mais uma forma de comunicação.
Porém este nova possibilidade não deve ser pressuposto para descuidarmos do aprendizado com nossos mais velhos nas roças, no seu dia a dia. Ainda que por vezes seja difícil, eu aprendi que é na roça que se vive a realidade da religião.
Meu trabalho aqui é muito mais do que só falar e responder questionamentos a cerca da religiosidade. Meu objetivo é promover a discussão de assuntos que nos afetam direta ou inderetamente, é lembra-los que somos parte do TODO, que somos uma só comunidade e que o indivíduo, apesar de dos seus anseios pessoais, está inserido numa família de axé e, neste contexto, quanto mais se pensa coletivamente, mais o individuo se fortalece.
Candomblé só se faz no coletivo.
Sejam todos muito bem vindo a este projeto e que nossos queridos Orixas nos encaminhem sempre no melhor destino. Axé, Tomeje.

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