A Casa de Santo

 

 

A CASA DE SANTO: 

O espaço geográfico onde se situa o Templo de Candomblé (ilè àse), como tudo nessa Religião, é ímpar. 

Curiosamente, apesar da diversidade de cultos oriundos de diferentes regiões africanas; apesar das peculiaridades rituais e culturais; apesar dos vários nomes pelos quais esse espaço é reconhecido (Ilê, Barracão, Roça, Casa de Santo, ou Terreiro), e independentemente da origem da liturgia ali praticada (Nação), a dinâmica que se oferece aos adeptos e visitantes que entram naquele espaço é invariavelmente a mesma: trata-se de um mundo a parte. 

Ao atravessarmos as fronteiras desse reduto de Fé e resistência cultural, ingressamos em outra dimensão. Ali, o tempo passa em outro compasso. As relações de hierarquia social são completamente diferentes daquelas existentes na vida profana. 

Basta um passo para dentro do Terreiro, e as regras de convivência são outras. Não que as leis brasileiras percam sua eficácia. Mas as normas de conduta e o sistema de poder dentro do Ilê, são únicos e prevalecem a tudo e a todos. 

Por exemplo: se na vida exterior um adepto for uma autoridade pública, mas dentro daquela Roça sua condição hierárquica for de um Abiãn (não iniciado), ele será  subordinado a qualquer pessoa, instruída, ou não, mais velha, ou não. Sua condição de autoridade não vale naquela comunidade (ou egbé). 

A idade cronológica não conta. A cultura exterior não conta. Os valores materiais não contam. Ali outros valores prevalecem. 

Em suma, o espaço mítico dos Terreiros funciona como um verdadeiro Vaticano: um território encravado dentro de um país, com regras, valores, e hierarquia próprias. Ali existe outro “Chefe de Estado”. 

Talvez por isso haja certa dificuldade para as pessoas que não estão preparadas para isso, se adaptarem à dinâmica de uma Casa de Santo. 

Vale dizer que existem catalogados mais de 90 (noventa) cargos hierárquicos dentro da liturgia do Candomblé. Há desde os administrativos internos, aos ritualísticos e também aqueles voltados para as relações diplomáticas externas que devem ser mantidas com outros Barracões. 

A convivência é balizada pela senioridade dos iniciados na Religião. Portanto, quanto mais anos de iniciação possua o adepto, maior sua condição hierárquica naquela comunidade, assim como maiores serão suas regalias naquele egbé. 

Dentro da Casa de Santo existem espaços sagrados e também aqueles destinados às festas de caráter mais informal e não litúrgicas. 

Os quartos de Santo são os locais onde são guardados os assentamentos dos Orixás. Ali, repousam nas louças e ferramentas de cada Divindade, sua energia, seu a Axé e a fé de seus seguidores. Esses locais são restritos aos freqüentadores da Casa. Mas o direito de manusear essas preciosidades sacras cabe apenas aos iniciados mais velhos e aqueles de maior confiança. 

Os quartos de Santo são saudados sempre, um a um, por cada adepto que entra na Roça.

Na sala, ou salão (local onde são realizadas as cerimônias públicas), existem 3 pontos especiais: a porta de entrada, a cumeeira e os atabaques. Esses três locais também são saudados pelos visitantes de outros Terreiros. Até mesmo os Orixás manifestados prestigiam esses três locais, que representam, respectivamente, os caminhos, o axé daquela Casa e a orquestra ritual que chama e louva as Divindades. 

Outro espaço sagrado é o roncó. Este é o quarto privativo e exclusivamente separado para os rituais de iniciação e também para os ritos que são realizadas quando completados os ciclos posteriores à iniciação (obrigações de tempo de santo) de cada adepto. 

Tradicionalmente, nos locais sagrados não se fuma, não se bebe, não se adentra sem que antes se tome um banho de ervas para retirar as energias negativas e também se vistam as roupas rituais. 

Mas há sempre redutos mais afastados que podem ser utilizados para que nos momentos descontraídos das festas, os freqüentadores desfrutem das bebidas, das brincadeiras e do samba de roda, tradição secular. 

As Casas de Sato reproduzem as côrtes africanas, onde o rei é o babalorixá, ou a iyalorixá, com a soberania, a autoridade e o poder absoluto e vitalício, concentrando as figuras de chefe de estado e líder religioso. Em torno dessa figura, circula um protocolo todo especial: como reverenciá-lo; quem pode sentar-se a seu redor durante as refeições; as cores das roupas e dos colares que a comunidade deve usar; os tabus e interditos decretados por eles e que deverão ser respeitados por todos, etc. 

Sua corte é composta pelos integrantes da comunidade (ègbé) que ocupam os cargos mais importantes. Estes podem ser seus parentes consangüíneos, ou não. Porém, não raro, a composição se dá em uma espécie de castas, onde se pode observar que certas famílias se destacam por seus membros preencherem posições relevantes na hierarquia e no controle da Casa. 

Os membros de um ègbé, ao ingressarem na Casa, passam a ser parte de uma comunidade especial. Verdadeiras moléculas componentes da célula mater. Despir-se de individualismo dentro da Casa de Santo, é compreender e facilitar o equilíbrio do conjunto. Com isso, perde sentido a vaidade, o egoísmo e as disputas pessoais que corrompem a sociedade. Na Casa de Santo, a importância que se exerce, é ser parte do todo. 

A Casa de Santo, enfim, é uma ilha de fé, de tradição e de cultura. Seu espaço físico e astral é compartilhado por seres vivos e divindades imateriais, que se misturam em uma poesia singular. 

Naquele reduto, passado, presente e futuro se integram de uma forma quase imperceptível. De um modo único, inexplicável, como só uma Religião paradoxal e apaixonante como o Candomblé pode conceber. 

A Casa de Santo é o Templo que abarca a crença, os costumes, as diferenças, o negro, o branco, o homem a mulher, o velho, a criança, o rico, o pobre, o homo e o hetero, acolhendo a todos com a sabedoria milenar e infalível do africano. Sabedoria de escravo, que conquistou o senhor. Sabedoria simples e profunda, que se pode resumir em quatro pilares: respeito, solidariedade, perseverança e axé. 

Márcio de Jagun

Babalorixá, escritor, professor universitário, advogado e apresentador do Programa Ori (ori@ori.net.br)

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27 comentários

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    • MSC em 26 de dezembro de 2013 às 00:35
    • Responder

    Boa noite, Tomege. A sua bênção. O sr. poderia me explicar quais são as obrigações de um abyan dentro de um casa de axé? Ela deve estar em todos os ritos que ocorram na casa? Desde já, obrigada.

    1. MSC isso vai depender do envolvimento do abian na Casa de Axé, não há obrigatoriedade. Sabemos muito bem que muitas Casas abusam dos abian e estes são tratados como escravos domésticos dos barracões e só servem para tomar bronca. Noutras Casas os abians são, deliberadamente, afastados de todas funções relevantes, isso se deve a sua condição de noviço. Na prática o abian não tem grande ligação com Casa alguma até ser iniciado e se tornar yawo. Mas eu acho que o abian deve procurar um bom lugar neste turbilhão e ficar alí quietinho assistindo, lavar um chão de vez em quando, auxiliar alguém mais velho, observar como se portam os mais velhos e ficar alí quietinho assistindo rsrsrsrsrs. Axé, Tomeje.

    • MSC em 26 de dezembro de 2013 às 18:10
    • Responder

    Obrigada, Tomege. Asè!

    1. MSC vc está no berço do candomblé. Apesar de muito criticarem esta afirmação por discordarem de que o candomblé nasceu na Bahia, mas isso é outro tema, vamos adiante. Aí tem o Axé Opo Afonjá, o Gantois, o Axé Oxumare, o Alaketu, a Casa Branca do Engenho Velho e outros. Pertinho daí em Lauro de Freitas tem o Axé Opo Aganjú do sr Balbino de Freitas (Sr Obaraii). Tá boa a lista? rsrsrsrs Axé, Tomeje.

    • MSC em 26 de dezembro de 2013 às 18:52
    • Responder

    O senhor conhece casas de asè em Salvador que sejam tradicionais, sérias?

    • MSC em 26 de dezembro de 2013 às 21:56
    • Responder

    Em relação a ser o berço do candomblé, gostaria muito que sr. postasse algo sobre, pois esse assunto muito me interessa. Rsrs. No mais, a lista está ótima. Muito obrigada, Tomege.

    1. Este assunto é vasto e polemico, muitos aceitam que o candomblé foi criado na Bahia, outros vão cruzar dados históricos da chegada dos primeiros escravos de origem bantu no RJ ou em Pernambuco e vão afirmar que o candomblé nasceu lá. Outros vão se apegar ao fato concreto de que o primeiro candomblé registrado, com data de compra do terreno e legalmente organizado foi o Engo Velho. Outros dirãoq eu o proto candomblé, ou seja, os batuques e festas das senzalas já era candomblé, que os calundus tb eram formas de candomblé. Pode haver afirmações de que o candomblé Jeje é mais antigo e que nasceu em Cachoeira de São Felix. É muito confuso e todos querem uma parcela desta certidão de nascimento ou de originalidade do candomblé. Um bom livro pra isso é o “Os candomblés da Bahia”. E o restante é estudar muito sobre o candomblé e sobre o tráfico de escravos para tentar entender esta confusão de datas e de etnias que chegaram antes e que chegaram depois. Eu de minha parte, fico com a tradição, e na tradição se diz que o candomblé nasceu na Bahia, ao menos o candomblé Ketu. Axé, Tomeje.

    • MSC em 27 de dezembro de 2013 às 11:45
    • Responder

    Concordo com o sr. quando diz que todos querem uma parcela da certidão de nascimento. No mais, já percebi com o que o sr. disse no texto como um todo que só lendo bastante entenderei melhor esse assunto. Coincidentemente, estive numa livraria semana passada e vi o livro “Os Candomblés da Bahia”, só não o levei para casa porque a minha cota de compras de livros já estava estourada. Rsrs. Mas muito em breve o terei na minha biblioteca. Mais uma vez, muito obrigada pelos esclarecimentos, Tomege. Asè!

    • MSC em 27 de dezembro de 2013 às 11:53
    • Responder

    Tomege, eu vi que existem dois livros que falam sobre o assunto acima:

    * Candomblé da Bahia – Resistência e Identidade de um Povo de Fé – autor: José Jesus Barreto;

    * O Candomble da Bahia – autor: Roger Bastide.

    Qual o sr. citou? Ou conhece os dois e me indica? Rsrs

    • MSC em 27 de dezembro de 2013 às 12:34
    • Responder

    * Candomblés da Bahia – autor: Edison Carneiro.

    1. MSC, o livro do José Jesus eu não cheguei a ler ainda. Vc gosta de livro? Eu tenho um exemplar do livro do Edson Carneiro de 1948, edição limitada, tá bom assim???? rsrsrs Tenho também o livro do Roger Bastide. Nestes dois tem uma coisa interessante. Lendo o Edson Carneiro e logo depois o Roger Bastide, dá para perceber que o Edson tinha uma visão de antropólogo, de fora, analisando a religião e descrevendo as coisas que via, é um ótimo livro, mas falar de maneira superficial, não tem calor, não tem dendê. O Roger Bastide escreveu depois de 1950 quando houve uma abertura das Casas de Axé para a academia. O candomblé passou a abrigar entre seus filhos, os letrados, deixou de ser visto como folclore e virou religião com interesse de estudiosos que “davam” orixá rsrs. O Rogerr frequentava a Casa e a comunidade de Axé, assim como Pierre Verger. No livro dele tem a visão de dentro do Axé, tem dendê nas folhas deles. Essa é grande diferença dos que escreveram sobre o candomblé e de quem escreveu para o candomblé. Hoje eu tenho o privilégio de conviver ou ter convivido com escritores como Yá Gisele Omindarewa, Fernandes Portugal, José Beniste, Eduardo Napoleão e finado José Flavio Pessoa de Barros, isso para mim é Axé, Tomeje.

    • MSC em 29 de dezembro de 2013 às 19:16
    • Responder

    Tomege, o sr. está bem demais, tem um exemplar de edição limitada? Isso não é para qualquer um. Rsrs. Em relação a esses autores eu ainda não conheço os livros, conheço apenas o Roger Bastide de algumas leituras rápidas na internet. Mas em relação à pergunta que o sr. me fez, sim, eu adoro livros, e é por esta razão que sempre faço perguntas sobre autores. Rsrs. Para mim é importante conhecer mais sobre o candomblé, que é a religião que me atrai.
    Voltando às leituras, já li “Meu Tempo é Agora” de Mãe Stella de Oxossi; “As Águas de Oxalá” de José Beniste; “Candomblé – A Panela do Segredo” de Pai Cido de Òsun Eyin; Iemanja – A Grande Mãe Africana do Brasil” de Armando Vallado e “Awô – O Mistério dos Orixás de Gisèle Omindarewá Cossard.
    Estou no caminho certo nas leituras? Rsrs
    No mais, seguirei as dicas que o sr. me deu sobre autores. Grata, e asè!

    1. MSC, quando eu leio algumas partes do Awo eu ainda ouço minha Mãe (Yá Gisele) cantando ou rezando aquele trecho. Estou hoje em outra Casa de Axé, por motivos particulares, mas ainda assim continuo me ferindo a Yá como Minha Mãe. Saudades. Ela está viva e forte, mas não a vejo mais. Bem vc está sim num bom caminho, tente aliar leitura e visita a Casa de Axé para ver como funciona na prática. Axé, Tomeje.

    • MSC em 30 de dezembro de 2013 às 10:10
    • Responder

    Bom dia, a sua bênção. Que lindas as palavras do sr, em relação à Yá Gisèle. Gratidão é uma palavra que ao meu ver não deve sair de moda, nunca. No mais, já estou fazendo isso que o sr. falou, aos poucos estou frequentando uma Casa de Asè para conhecer a prática. Em breve, novas dúvidas. Rsrs. Obrigada.

    Aproveitando, desejo que o ano de 2014 seja repleto de muita, saúde, paz, fé, e realizações na vida do sr.. Asé!

    • Dorfona de Yemanja em 3 de janeiro de 2014 às 22:16
    • Responder

    Bençã
    Sou iniciada (raspada)a 12 anos do orixá Yemowo e a feitura foi no Rio hoje moro na Bahia e gostaria de saber mais sobre esta qualidade de Uemanja e se ela e funfun.
    E sobre os junto ele e para ser acentado e pode começar a virar com quanto tempo?
    Estou com duas obrigações atrasada a de 3 e de 7 anos. Só a pouco tempo encontrei uma casa e para colocar minhas obrigações em ordem, mais nessa casa q estou não se cultua Yemowo e se conhecem muito pouco sobre ela.
    Me ajude a conhecer melhor o meu orixá indicando livro ou site, as informações sobre minha orixá na net são mínimas e básicas, gostaria de me aprofundar mais já q meu caminho e para cuidar de orixá.
    Obrigada!!!

    1. Dofona de Yemonjá bom dia. Vamos por pequenas partes. Sobre o junto (segundo orixá), em algumas Casas só assenta o segundo orixá algum tempo de pois da iniciação, até aí tudo bem, talvez tenha sido este o seu caso. Mas a questão de virar com o junto é outro assunto. Não há obrigatoriedade do junto virar, ele pode ser assentado e nunca virar, é uma condição Dele e só Ele decide isso, não há como afirmar que o junto vai virar, entende? Sobre as obrigações. Eu penso que não existem obrigações em atraso, cada um temo seu tempo e o orixá compreende desde que este “atraso” seja por motivos verdadeiros. Sobre a Casa. É um tanto difícil encontrar uma Casa que não cultue esta qualidade de Yemonjá (Yemonja ligada a Oxalá, que veste branco e prata e mora no fundo do mar, antiga e ranzinza) veja que esta ligação não é “fundamento” é por afinidade, Ela vive no fundo do mar por que gosta do silencio. Dofona hoje o que eu vejo de pessoas falando que o seu orixá é funfun sem conhecer o que é funfun, me assusta. Os funfun são os orixá da criação, Obatala, Odudua, Olofim, Olokum e outros que não me lembro agora. Os orixás que vestem branco, Eles vestem branco e só isso, não são funfun, e sua Yemonjá não é funfun, Ela veste branco, só isso. Sugiro que vc vá a sua Casa e procure informações lá, mesmo que não cultue esta qualidade de Yemonjá o sacerdote deve te dar explicações a cerca dela, com certeza ele tem a quem recorrer para te ajudar. Caso não seja possível recomendo que vc procure uma Casa de tradição como Engenho velho, gantois (gantuá) opo afonjá, oxumare e outras. Acho difícil vc encontra informação segura e conhecimento seguro sobre orixá em internet, orixá se aprende na roça/casa. Axé, Tomeje.

    • MSC em 5 de janeiro de 2014 às 12:56
    • Responder

    Boa tarde, Tomege. Aproveitando a resposta que o sr. deu acima, falando sobre Casas tradicionais na Bahia, poderia falar um pouco mais sobre a Cada Branca do Engelho Velho? O sr. conhece o terreiro pessoalmente? E como uma pessoa deve fazer para iniciar sua caminhada como abian na mesma? Grata.

    1. MSC… MSC… MSC, o que falar do Engenho Velho!? rsrsrsrs Segundo todos os historiadores e mais velhos, foi lá que o Ketu começou oficialmente, não entraremos em discussões, ok? Mas o engelho velho é a primeira Casa oficializada, com registro e tudo e funciona desde 1830, tá bom? rsrsrs, Conheço pessoalmente, mas de visita somente, ainda não pude ir num candomblé lá. Mas conheço aqui no RJ o candomblé descendente do engenho velho e que é bem próximo à Casa matriz. Acho que o caminho é ir lá, na cara dura, fazer um jogo e ir frequentando aos poucos. Estas Casas geralmente são mais fechadas e reservadas, nelas se ve muita gente antiga na Casa, poucos novatos, eles se preservam muito e cuidam muito bem, mas muito bem mesmo de receber os novatos. O problema muitas vezes é que as pessoas querem que os candomblés antigos como os citados, se abram e recebam efusivamente, com festas os recém chegados, entende? Por isso eu recomendo muita cautela, vá de saia comprida de preferencia branca, sem maquiagem e sem decotão rsrs, fale pouco e deixe que a Mãe te mostre o caminho. Axé, Tomeje.

    • MSC em 5 de janeiro de 2014 às 13:08
    • Responder

    Corrigindo: Casa Branca do Engenho Velho.

    • MSC em 5 de janeiro de 2014 às 19:30
    • Responder

    Nossa, são muitos anos de história, não é, sr. Tomege? Gostei muito de saber um pouco mais sobre a referida Casa e das informações que me transmitiu sobre como se comportar. No mais, farei o que disse, chegarei com cautela e falarei pouco. Obrigada mais uma vez. Asè!

    • MSC em 5 de janeiro de 2014 às 19:35
    • Responder

    Corrigindo o nome do sr.: Tomeje. Não errarei mais. Rsrs. Perdoe-me. Asè!

    1. MSC obrigado pela correção, axé, Tomeje.

    • Dorfona de Yemanja em 6 de janeiro de 2014 às 00:09
    • Responder

    Boa noite
    Bençã
    Obrigada por me esclarecer minhas duvidas com tanta gentileza, eu já perguntei ao Baba que hoje estou e ele nunca me responde. O mesmo quiz colocar azul em Yemowo e ela se recusou e ele disse q na casa dele yemanja veste azul e o q ele quizer. Tenho o junto acentado, mais carrega uma herança q e uma oxum. E na minha feitura comeu yemonja ogunte e Yemowo e carreguei dois kele e mais três argolas de ferro prata.
    Fiz minha obrigação de 1 ano nessa atual casa e na hora do jogo ele disse q duas yemanja respondia, mais q era preciso deixar apenas uma.
    Não gostaria de magoar ele, mais não me sinto bem lá.
    Na minha feitura minha antiga MAE de santo buscou um Baba nigeriano e usou muito o jogo com todas as ebomis da casa.
    Muito obrigada me ajude!!!

    1. Dofona de Yemonjá, me perdoe a dureza das palavras, ms alguém que diz na “sua casa” isso e aquilo, é alguém que não sabe bem porque abriu casa. Casa de Orixa (com C) é diferente de casa (com c). Nas primeiras o Orixa vem primeiro lugar, a tradição é respeitada e os filhos são esclarecidos, sempre e sem dúvidas. Se numa Casa não cultua um determinado Orixa ou qualidade, há sempre duas alternativas, buscar informações ou indicar ao filho uma Casa que tenha este Orixa ou qualidade. Conheço Casas onde não se cultua por exemplo Ogum Xoroque, porque se entende que este não é um Ogum, é, na sua raíz, um Gú, da tradição Jeje e que não é feito em ninguém. Outras não cultuam alguns tipos de Oyá, ficam todas resumidas em Oya gbalé. Mas nunca vi, sinceramente, nestas Casas, um Pai ou Mãe desmerecendo estas energias e seus filhos, todas as vezes que isso aconteceu, os filhos foram orientado e/ou as energias foram “acomodadas” em qualidades mais próximas ou reconhecidas pela Casa, os filhos receberam as explicações devidas, as energias foram e são reverenciadas e recebem o que lhe é devido, mas daquele momento em diante passarão a ser denominados de outra forma, sempre de acordo com a tradição e em respeito ao filho. No seu caso, Yeyemowo existe e tem culto, não há impedimentos. Até porque como vc disse no texto, ele reconheceu a qualidade no jogo quando “as duas responderam”, portanto não há o que questionar. Penso que se vc não magoar o pai, vc será magoada. É uma questão de escolha. Axé, Tomeje.

    • MSC em 7 de janeiro de 2014 às 12:11
    • Responder

    Bom dia, Tomeje. Eu precisava corrigir o meu erro, não é verdade?
    Agora tenho uma nova dúvida (rsrs) e gostaria que, se possível, o sr. me ajudasse. Com as leituras que tenho feito, percebi que existem diferenças entre uma pessoa ser Babalawo e Babalòrìsà. Estou correta na minha compreensão? Se de fato essas diferenças existirem, quais são? Obrigada.

    1. MSC apesar de existirem grandes diferenças, também existem similaridades. Primeiro temos que entender que este dois cargos conviveram pacificamente no início da formação do candomblé, temos exemplos como sr Bamgboxe e sr Agenor Miranda e outros grandes Babalawos que colaboraram diretamente para a criação e fortalecimento de grandes Casas de Axé como Eng Velho, Opo Afonjá e Gabtois.. Mas o tempo, a escassez de babalawos e uma certa presunção e/ou medo de muitos babalorixas e yalorixas fez estas figuras se afastarem do convívio das Casas de Axé. A partir do momento que os sacerdotes de candomblé passaram a manipular o jogo de búzios, me parece, chutão, que a figura do babalawo passou a representar uma diminuição da autoridade do sacerdote de candomblé e também um concorrente por cliente de jogo. Infelizmente tivemos e temos isso ainda hoje. Temos também hoje um certo receio dos sacerdotes em reconhecer babalawos como também sacerdotes, para de certa forma não validar ou reconhecer ou empoderá-los como tal. E os motivos são vários, desde a proliferação de babalawos e muitos sem o devido aprendizado, tendo sido iniciados de forma duvidosa, por pessoas duvidosas de origem duvidosa, até os mais fúteis motivos pessoais. O certo é que há ainda hoje uma distancia entre estes dois grupos.
      Os babalawos cuidam de Odu e seus desdobramentos, seu principal Deus é Ifá Orunmila ou Olodumare ou Olofim. É uma cultura masculina onde as mulheres raramente exercem algum poder, até tem, mas são de fato raras. Babalawo tem que ser homem, não se admite o homossexual como babalawo (ao menos não declaradamente). Babalawo não manifesta orixá nunca. Babalawo não deve ou não deveria interferir em candomblé. E é neste ponto que o negócio pega, a maioria, dos dois lados, se acusam de bulir no que não lhe é devido.
      Baba e Yalorixa cuidam de orixá, manifestam orixá. Desnecessário falar da homossexualidade. Mas hoje há babas e yas que cuidam de odu, assim como tem babalawos que cuidam de orixá. Se é certo eu não sei, mas a realidade é que estes grupos por mais que se distanciem, estão cada vez mais misturados.. Eu mesmo sou iniciado em Ifá pelo meu Padrinho Claudio Falcão, fiz a cerimonia de awofakan, também fiz cerimonias de Ifa em minha de Axé, mas eu nunca serei um babalawo porque o meu caminho é orixa. Minha mulher pode vir a se iniciar em Ifá também, mas assim como eu o caminho dela é orixa. Penso que podemos conviver e aprender com esta cultura, que assim como a cultura de Orixa é fantástica e riquíssima, só não vejo com bons olhos quando um quer ser mais que o outro. Como diz meu Pai em relação a Umbanda e o Candomble “são irmãos vindo da mesma terra, mas com caminhos distintos”. Compliquei um pouco né? Mas respondi?

    • MSC em 7 de janeiro de 2014 às 18:42
    • Responder

    Que nada, Tomeje, não complicou não. Rsrs. Agora sim as coisas ficaram mais claras para mim, pois antes desse esclarecimento do sr. eu estava cheia de dúvidas sobre essas diferenças. Muito obrigada. Asè!

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