Casa de Oxumare: Vestimentas dos Òrìsàs e dos adeptos do Candomblé.

 

Em diversas oportunidades abordamos nesse espaço, questões relacionadas às vestimentas dos Òrìsàs e dos adeptos do Candomblé. Assim, já falamos sobre as proibições sobre a utilização de máscaras, sobre as roupas das iyawos, egbon, ogan, etc.

Hoje, em continuidade a todos esses textos, vamos falar um pouco sobre alguns hábitos que vêm de forma bastante preocupante e vertiginosa, ganhando força em muitos lugares e, por consequência, descaracterizando os costumes do Candomblé Tradicional.

Um desses novos hábitos é a utilização de frondosos torços pontiagudos pelas Divindades, algo que em muito descaracteriza o Candomblé.

Nas nossas tradições, quando um Òrìsà manifesta uma pessoa, o mesmo recebe o chamado “laço” para dançar algumas cantigas para partir (ir embora), ou então, até que o mesmo receba as suas paramentas para o chamado “Hun do Òrìsà”. Aqui em Salvador isso é chamado por muitas Ekeji de “atracar”.

Nossa preocupação é que essa simples tradição está sendo perdida. Identificamos em muitas ocasiões que, assim que manifestado, os Òrìsàs não estão mais recebendo esse “laço” (atracados). Ao invés disso, estão sendo vestidos com um dantesco Ojá (pano de cabeça) pontiagudo, com muitos centímetros de altura que, até pouco tempo, não era usado no Candomblé e que nos lembram as torres dos palácios indianos.

Observamos também, que muitas mulheres do Candomblé estão abandonando o “Atacan” (Singue) para utilizarem no lugar dele, o chamado “Soutien de Nadador”, desfigurando a imagem da “baiana”. O mesmo vem acontecendo com o “calçolão” utilizado com as saias que, infelizmente estão dando lugar às calças comuns, por exemplo, o moletom.

Ainda nesse sentido, observamos com pesar muitas Divindades masculinas dançando com joias femininas e Òrìsàs saindo à sala com maquiagem, algo que fere todos os nossos costumes.

Não queremos aqui, em hipótese alguma, ditar regras puristas, sendo que o Candomblé tal como é praticado no Brasil, é uma religião que fora moldada pelos negros africanos à realidade do nosso País. Apesar disso, é nosso papel, como uma Casa de Candomblé centenária, participar à população e, sobretudo, aos seus descendentes, aquilo que é praticado na Casa de Òsùmàrè.

Nós do Terreiro de Òsùmàrè, vamos continuar na longa caminhada de esclarecer as nossas tradições de modo que elas sejam preservadas.

Que Osumare Araka continue olhando e abençoando todos!
Casa de Osumare

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