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abr 09 2014

A Ética e Moral no Candomblé: IV O Dinheiro Compra Tudo?

oxumare

 

Publicado em, 13 de Novembro de 2012 no site do Axé Oxumare

A Ética e Moral no Candomblé: IV O Dinheiro Compra Tudo?

Quando iniciamos a escrever sobre a Ética Moral no Candomblé, o tema “O Dinheiro Compra Tudo?” foi um dos primeiros a ser pensado. É, também, uma das sugestões mais encaminhadas para abordarmos como postagem.

Em verdade, as pessoas que nos sugeriram esse artigo, em sua maioria, mencionaram exemplos que, nitidamente, estão na contra mão do Sacerdócio Ético. São ações que são repudiadas pela maioria, criticadas pela maioria, no entanto, a mesma maioria ignora os seus princípios éticos e, principalmente os princípios religiosos, caso recebam uma oferta tentadora para comungarem e balizarem essas ações.

Não podemos, por exemplo, ser coniventes com um Sacerdote/Sacerdotisa que confere a obrigação de sete anos para uma pessoa que ainda não completou essa idade. Um Sacerdote Sério, Ético e de Postura, jamais poderá realizar essa obrigação sem que a pessoa tenha completado essa idade. Àqueles que o fazem, estão ferindo os dogmas do Candomblé e, principalmente, contribuindo para a degradação e banalização da religião.

É igualmente lamentável, que em razão do dinheiro, Sacerdotes implementem rituais em casas/Asè que não os comportem. A Religião dos Òrìsàs é rica em tradições e costumes, entretanto, não são todos os rituais que podem ser realizados em todas as casas. Isso não é preconceito ou segregação religiosa, isso é tradição. Vejamos:…

Quando iniciamos a escrever sobre a Ética Moral no Candomblé, o tema “O Dinheiro Compra Tudo?” foi um dos primeiros a ser pensado. É, também, uma das sugestões mais encaminhadas para abordarmos como postagem.

Em verdade, as pessoas que nos sugeriram esse artigo, em sua maioria, mencionaram exemplos que, nitidamente, estão na contra mão do Sacerdócio Ético. São ações que são repudiadas pela maioria, criticadas pela maioria, no entanto, a mesma maioria ignora os seus princípios éticos e, principalmente os princípios religiosos, caso recebam uma oferta tentadora para comungarem e balizarem essas ações.

Não podemos, por exemplo, ser coniventes com um Sacerdote/Sacerdotisa que confere a obrigação de sete anos para uma pessoa que ainda não completou essa idade. Um Sacerdote Sério, Ético e de Postura, jamais poderá realizar essa obrigação sem que a pessoa tenha completado essa idade. Àqueles que o fazem, estão ferindo os dogmas do Candomblé e, principalmente, contribuindo para a degradação e banalização da religião.

É igualmente lamentável, que em razão do dinheiro, Sacerdotes implementem rituais em casas/Asè que não os comportem. A Religião dos Òrìsàs é rica em tradições e costumes, entretanto, não são todos os rituais que podem ser realizados em todas as casas. Isso não é preconceito ou segregação religiosa, isso é tradição. Vejamos:

Quantas Casas de Candomblé em Salvador possuem uma estrutura sólida e fundamentada nas tradições seculares de suas famílias, mas que, por exemplo, não realizam o ritual do Pilão de Osogiyan ou a Procissão do Ade Bayanni? Isso não é falta de conhecimento, isso é Ética acerca das tradições religiosas daquela casa/família.

Muitas dessas casas não realizam alguns determinados rituais simplesmente por suas casas não comportarem. Quando afirmamos isso, não estamos referindo-nos a estrutura física da casa ou conhecimento religioso, mas sim a estrutura religiosa da casa não comportar determinado ritual. Por vezes, as Divindades que regem aquele determinado terreiro, não possuem qualquer tipo de ligação com o ritual “A” ou “B” e, por isso, esses rituais não são implementados. Mas muitas pessoas não satisfeitas buscam alguém que, por dinheiro, implemente um ritual que em nada tem haver com o seu Òrìsà/casa ou tradição.

Muito podem pensar, mas os Terreiros tradicionais são repletos de rituais, porque as demais casas também não podem ter todos? Sobre isso, em primeiro lugar, reafirmamos o já dito acima. Em segundo, é importante refletir que os Terreiros mais Tradicionais, as chamadas Casas Matrizes já passaram por diversas gestões, com Sacerdotes de diversas Divindades. O que isso explica?

Imaginemos uma casa que foi fundada há duzentos anos por uma pessoa de Bayanni. À época do fundador/fundadora, essa casa implementou diversos rituais específicos desse Òrìsà, sendo ele o patrono da casa.

Com a morte do fundador/fundadora, assume alguém, por exemplo, de Osogiyan. Essa nova Sacerdotisa, além de manter com afinco todas as tradições do antecessor/antecessora (específicos para Bayanni), implementa rituais específicos para Òsògíyan, como exemplo a Festa do Pilão. Com a morte dessa Ìyálòrìsà/Babalòrìsà, assume a terceira gestão, desta vez de Òsóòsì. Essa Sacerdotisa, além de preservar os rituais de Bayanni (fundador), mais os rituais de Osogiyan (2ª gestão), implementa rituais específicos do Deus da Caça. Assim ocorre sucessivamente, ou seja, o Sacerdote mantém os rituais dos seus antecessores e, eventualmente, implementando algum ritual específico do Deus que rege sua cabeça.

Há, ainda, lindos rituais que são específicos de uma determinada casa ou Asè, que jamais poderão ser implantados em outro Terreiro. Dessa forma, um Sacerdote que implementa um ritual inapropriado para uma casa, somente em razão do dinheiro que irá receber, está ferindo gravemente a ética do Candomblé.

Nem tudo que é bonito na casa de um amigo poder ser aplicado em nossa casa. Isso é algo que as pessoas devem ter em mente e, um Sacerdote sério, não pode se vender em detrimento da cultura, da tradição e da memória dos nossos ancestrais. O dinheiro não compra tudo!

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!

Ilé Òsùmàrè Aràká Asè Ògòdó

 

Sobre o autor

tomeje

Axé à todos. Sou o Tomeje. Iniciado em 27 de outubro de 1987 para o Orixa Ogun. Desde que conheci a religião dos Orixás eu sempre me preocupei em apreender qual a função da religião e da religiosidade na vida das pessoas. Eu quero entender como isso funciona. Como a religião e a religiosidade formam a fé de alguém. São muito anos de perguntas, muitos questionamentos pessoais e poucas respostas e creio que seguirei assim, aprendendo sempre.
Agora, graças a essa nova tecnologia, tenho uma oportunidade de interagir e trocar experiencias e vivencias dentro da religião e assim aprender uns com os outros. Eu mais que vcs, com certeza, aprendo a cada pergunta.
Eu tento compreender a nossa religião pensando sempre numa comunidade que se ajuda mutuamente. E não é diferente neste meio de comunicação, que assim como os livros, discos, cadernos, fitas, dvd's e outras ferramentas de divulgação de conhecimentos, este blog é somente mais uma forma de comunicação.
Porém este nova possibilidade não deve ser pressuposto para descuidarmos do aprendizado com nossos mais velhos nas roças, no seu dia a dia. Ainda que por vezes seja difícil, eu aprendi que é na roça que se vive a realidade da religião.
Meu trabalho aqui é muito mais do que só falar e responder questionamentos a cerca da religiosidade. Meu objetivo é promover a discussão de assuntos que nos afetam direta ou inderetamente, é lembra-los que somos parte do TODO, que somos uma só comunidade e que o indivíduo, apesar de dos seus anseios pessoais, está inserido numa família de axé e, neste contexto, quanto mais se pensa coletivamente, mais o individuo se fortalece.
Candomblé só se faz no coletivo.
Sejam todos muito bem vindo a este projeto e que nossos queridos Orixas nos encaminhem sempre no melhor destino. Axé, Tomeje.

2 comentários

  1. suzana

    que bom que existem pessoas éticas como vc.
    eu passei o pão que o diabo amassou, na mão de um vigarista. Primeiro, pq ele ficava me assediando por whattsapp, para ler búzios. Passou um ano m atormentando. quando aceitei, leu por whatts, disse que meu filho ia morrer e pediu 3.000 reais para me ajudar a sair dessa. Um show de horror

    1. tomeje

      Suzana obrigado pelo carinho, seja bem vinda. Infelizmente convivemos com este tipo de canalhas na nossa religião, é triste saber disso, mas também é importante saber que temos pessoas dignas e responsáveis. Espero que vc não desista da nossa religião e que vc encontre uma boa Casa para ser feliz com seus orixas. Axé e felicidades, Baba Tomeje

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