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maio 21 2017

KÓRI, A DIVINDADE DA JUVENTUDE E DAS CRIANÇAS ÓRFÃS

KÓRI, A DIVINDADE DA JUVENTUDE E DAS CRIANÇAS ÓRFÃS

Kóri é uma divindade reverenciada em muitas cidades iorubás. Seu culto não sobreviveu no Candomblé, porém em Cuba é cultuada em algumas Casas como qualidade de Ọ̀ṣùn.

Kóri é considerada como Òrìṣà da juventude, das crianças órfãs e adotadas.

De acordo com o Corpo Literário de Ifá, Kóri era uma mulher que vivia na floresta, até que um dia encontrou uma criança abandonada e a adotou. Passou a ensinar a esta criança todos os segredos da vida, fazendo com que a mesma se tornasse muito bem sucedida.

Devido a isto, Kóri normalmente é apontada como aquela que deve ser louvada pelas crianças que foram adotadas por outra família.

Kóri também possui muita relação com os jovens e adolescentes. Sendo a adolescência uma fase de muitas transformações e riscos, Kóri pode ser exaltada para que o jovem tenha um Orí mais equilibrado e ultrapasse esta delicada fase da melhor maneira possível.

Por isso Kóri é chamada de Òrìṣà Eléwe. Literalmente: a divindade senhora da juventude (elé + èwe).

Para o povo Yorùbá, as crianças não pertencem exclusivamente a seus pais, nem à sua família. Elas são consideradas como verdadeiros “patrimônios” da comunidade em geral. Pois representam a continuidade daquele grupo. A garantia de que aquela etnia não se acabará.

Na cultura ioruba, enquanto Ìbejì é o Òrìṣà protetor dos gêmeos, regente do espírito infantil; Lógun Ẹ̀dẹ é a divindade adolescente, regente da caça, pesca e do sentimento de rebeldia juvenil; e Kóri é a protetora das crianças adotadas e dos jovens na fase da transformação.

Kóri é reverenciada para que as desgraças ocorridas na vida dessas crianças sejam por elas ignoradas, e para que as mesmas, no futuro, não venham a ter atitudes negativas motivadas por acontecimentos ruins do passado.

Somente através de consulta oracular é possível saber se existe a necessidade de cultuar Kóri, bem como se esta divindade está, de alguma forma, relacionada ao nosso destino.

Márcio de Jagun

Bàbálórìṣà, professor e advogado

ori@ori.net.br

Sobre o autor

tomeje

Axé à todos. Sou o Tomeje. Iniciado em 27 de outubro de 1987 para o Orixa Ogun. Desde que conheci a religião dos Orixás eu sempre me preocupei em apreender qual a função da religião e da religiosidade na vida das pessoas. Eu quero entender como isso funciona. Como a religião e a religiosidade formam a fé de alguém. São muito anos de perguntas, muitos questionamentos pessoais e poucas respostas e creio que seguirei assim, aprendendo sempre.
Agora, graças a essa nova tecnologia, tenho uma oportunidade de interagir e trocar experiencias e vivencias dentro da religião e assim aprender uns com os outros. Eu mais que vcs, com certeza, aprendo a cada pergunta.
Eu tento compreender a nossa religião pensando sempre numa comunidade que se ajuda mutuamente. E não é diferente neste meio de comunicação, que assim como os livros, discos, cadernos, fitas, dvd's e outras ferramentas de divulgação de conhecimentos, este blog é somente mais uma forma de comunicação.
Porém este nova possibilidade não deve ser pressuposto para descuidarmos do aprendizado com nossos mais velhos nas roças, no seu dia a dia. Ainda que por vezes seja difícil, eu aprendi que é na roça que se vive a realidade da religião.
Meu trabalho aqui é muito mais do que só falar e responder questionamentos a cerca da religiosidade. Meu objetivo é promover a discussão de assuntos que nos afetam direta ou inderetamente, é lembra-los que somos parte do TODO, que somos uma só comunidade e que o indivíduo, apesar de dos seus anseios pessoais, está inserido numa família de axé e, neste contexto, quanto mais se pensa coletivamente, mais o individuo se fortalece.
Candomblé só se faz no coletivo.
Sejam todos muito bem vindo a este projeto e que nossos queridos Orixas nos encaminhem sempre no melhor destino. Axé, Tomeje.

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