Ayizan: A Nata da Terra.

 

AYIZAN: 

Seu culto é de tradição Jêje, com origem na cidade de Alladá. A devoção a Ayizan chegou ao Benin por força da cultura hwedá.

Ayizan é considerada um vodun do gênero feminino, esposa de Legba.

O nome Ayizan, significa “a esteira da terra”, ou “a nata da terra”, enfim a superfície do planeta. Por isso, tem como regência a fertilidade do solo. Sem Ayizan, não há cultivo. Contudo, não deve ser confundida com Nohê Aikunguman (a Mãe Terra), este outro vodun interligado à própria criação do mundo.

Ayizan é representada por todas as árvores cujas folhas são denominadas “zan” na língua fon, tais como a ráfia, o dendezeiro e outros tipos de palmeiras.

Talvez por sua ligação com Legba, tenham sido atribuídos a Ayizan todos os espaços públicos, inclusive os mercados. O dom da comunicação e a força da palavra, também pertencem a esta divindade.

Os objetos de culto a Ayizan são compostos por certa quantidade de terra de variadas procedências, azeite de dendê, folhas litúrgicas e demais elementos mágicos. Tudo é misturado formando-se um monte de terra cuidadosamente erguido junto às praças dos mercados mais movimentados e importantes comercialmente. Estes ajuntamentos de terra são enfeitados por rodilhas feitas de folhas de dendezeiro desfiadas e em cima de tudo, são postos jarros com pequenos furinhos.

Em frente aos montículos de terra sagrados, os comerciantes e clientes fazem oferendas a Ayizan, compostas de cereais e azeite de dendê.

No Togo, Ayizan é festejada à época da colheita de feijão.

Devido à sua ligação primordial com a fertilidade da terra e a Legba, Ayizan é associada aos ritos iniciáticos. Por isso, os cânticos em sua louvação são sempre entoados no início dos rituais e das festividades.

O culto a Ayizan é muito forte no Haiti, onde é sincretizada com Santa Clara. Naquele país, é conhecida como “Loa Aizan” ou como “Gran Aizan”, a qual se atribui a pureza ritual iniciática, o comércio e o cemitério.

No Brasil, seu culto, embora raro, sobrevive ainda em algumas Casas de tradição Jêje.

Rio, 14/9/11

Márcio de Jagun

Babalorixá, escritor, professor universitário, advogado e apresentador do Programa Ori (ori@ori.net.br)

2 comentários

    • Jonas em 29 de setembro de 2018 às 20:21
    • Responder

    Bacana esse artigo.

    1. Jonas, muito obrigado pela visita e seja bem vindo.Este texto é de autoria do meu Pai Marcio de Jagum. Axé e felicidades. Babá Tomeje.

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