Candomblé nasceu para dar colo

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Candomblé nasceu para dar Colo

 

Quando negros e negras foram trazidos de África para serem escravizados, no Brasil, uma das primeiras e mais cruéis forma de enfraquecimento da força negra, que o Branco Escravizador encontrou foi destruir a estrutura familiar. Pais foram separados de seus filhos – que foram separados de suas mães – que foram separadas de suas irmãs – que foram isoladas de suas primas, tias, avos e outros entes queridos. A tática macabra era mesmo para tirar a força das realezas africanas e seus descendentes, provocando amarga tristeza que culminaria no mais profundo e mortal banzo. Mas a Resistência foi dada aos Negros e Negras por suas divindades fiéis. Forças das natureza que não desamparam os seus na travessia e nem na vida dura na terra Brasil. Resistiram, se juntaram e da pluralidade harmoniosa que só existe em quem tem raíz em Africa, nasceu o Candomblé. Sim, nasceu uma Oportunidade de encontrar nova família, e de retorno ao seio ancestral. Nasceu a possibilidade de reconexão sagrada, de acolhimento e de restauração do Amor… Principalmente o Amor próprio. E assim é, até os dias de hoje. Candomblé é a religião do acolhimento, do retorno à família, da vida em família. Uma família que define grupo de gente do bem que se ama, se respeita e se cuida. Família gestada e amparada pelas forças ancestrais africanas, criada pelos descendentes desse amor e que, humanamente, abraça a todos e a todas. Abraça as diferenças. Aceita o diferente e o reverência como importante parte da pluralidade única. Sim, o Candomblé ensina e deve sempre ensinar a amar e cuidar do outro. Mesmo que o outro não igual a você. Até porque, não deve ser. Porque o outro é um outro mundo. Uma outra força, um outro caminho… Caminho outro e diferente que deve caminhar ao seu lado, porque o Amor maior nos torna semelhantes, mesmo com as mais lindas diferenças.

Essas coisas lindas da família de Axé, é o que torna único e faz ser importante compartilhar os ensinamentos dessa fé, com o mundo. Esse mundo nosso que se pauta na segregação, no extermínio da natureza e do diferente. Esse mundo que nasce para Intolerar – ou tolerar para o politicamente correto e nunca para o respeito. A diferença do mundo do deuses africanos, para o mundo de hoje, é que nossa cultura vem de tempos onde a sociedade resolvia seus problemas porque compartilhava dos erros e acertos de cada indivíduo. Um Amor distante desse mundo aqui, onde o acerto do outro não me vale porque não é meu, e o seu erro, eu cobro porque afeta o meu êxito. Está na hora de retornamos à essência de quem somos. Está na hora de buscar o que a história nos negou, e reconectar nossas forças ao que ensina a base de nossas famílias ancestrais. Que possamos voltar para o Amor e Cuidado, e especialmente, preservar o colo que aos nossos foi reservado para o conforto em constantes tempos de luta.

 

Créditos do texto: Página do Facebook e blog “Olhar de um Cipó”.

https://www.facebook.com/olhardeumcipo?fref=ts

http://olhardeumcipo.blogspot.com.br/2015/07/candomble-nasceu-para-dar-colo.html

2 comentários

    • flavia em 24 de novembro de 2015 às 13:11
    • Responder

    olá…

    Sai da casa onde frequentava e estou muito arrependida, somente hoje me dou conta dos erros que cometi…Como posso pedir perdão para minha yalorixá… Me disseram que nem me receber ela vai querer…
    Gratidao

    1. Flavia, seja bem vinda. A vida de um sacerdote é complicada, são filhos que chegam, filhos que se vão, outros são ingratos, outros são ausentes. Poucos filhos são de fato conscientes da sua função dentro do Axé e da família de Axé. Acho que vc deve falar diretamente com ela, tente conversar e expor seus motivos. Se por acaso ela se recusar a te atender, procure um mais velho e tente que ele interceda por vc. Se mesmo assim não der certo, não se afaste da sua raiz e da sua fé, siga sua vida e aprenda com este erro, de cabeça erguida, sim cabeça erguida, pois vc teve a coragem de reconhecer seu erro e pedir perdão por ele, ok? Axé e se precisar desabafar mais, estaremos aqui, ok? Tomeje.

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