Conhecer, Entender, Respeitar. Texto Mãe Stella de Oxossi.

Conhecer, Entender, Respeitar

Muitas foram as mensagens recebidas por mim sobre o artigo anterior, o qual tentava tornar mais clara uma religião ainda muito pouco estudada – o Candomblé. Surpreendeu-me o grande interesse da população, o que demonstra a necessidade de maiores esclarecimentos. As mensagens a mim enviadas também falam sobre minha “sabedoria”. Se é que existe alguma, ela está no fato de que eu nunca me canso de buscar o conhecimento em todas as áreas da vida, mas principalmente sobre a religião que pratico, pois temos obrigação de conhecermos, o mais profundamente possível, as bases que sustentam a crença que praticamos. A busca de conhecimento gera um maior entendimento, o que ajuda na diminuição do preconceito e no aumento do respeito. Foi pensando assim que procurei informações com pessoas que entendessem sobre cor, para poder melhor compreender a relação existente entre cada orixá e sua cor correspondente.

Foi dessa maneira que chegou ao meu conhecimento que cor e luz são fenômenos intimamente vinculados. Os objetos não possuem luz própria, por isto, só se tornam visíveis aos nossos olhos quando um feixe de luz, proveniente de alguma fonte de energia (sol, fogo, luz elétrica), os clareia. Os raios que clareiam um objeto são compostos de todas as cores, mas cada objeto reage absorvendo todas menos uma, que é aquela que ele reflete. É exatamente essa cor não absorvida, pois é refletida, que é a cor que vemos e dizemos ter o objeto. A fim de melhor esclarecer esse assunto, que para mim foi bastante complicado, pode-se dar o seguinte exemplo: uma roupa absorveu todas as cores de uma fonte de luz, mas refletiu apenas a azul, fazendo com que afirmemos que a blusa em questão é azul.

A explicação é ampliada quando se quer definir a cor branca e a preta. A primeira recebe todas as cores de uma fonte de luz, não absorve nenhuma delas e REFLETE todas, sendo por este motivo vista como “a reunião de todas as cores”; mas sobre a cor branca também se diz que ela é a “ausência de cor”, quando se quer defini-la levando-se em conta o fato de que não ABSORVE nenhuma cor. Já sobre o preto se diz as mesmas coisas, porém por motivos inversos: o preto é visto como a “ausência de cor” porque não REFLETE nenhuma das cores advindas da fonte luminosa; considera-se esta cor “a reunião de todas as cores”, no entanto, quando é observado o fato de ter o poder de ABSORVER todas as cores recebidas.

Nenhuma cor, como nenhuma raça, tem mais valor do que outra. Cada uma tem sua característica, que corresponde a sua função no mundo. A cor preta esquenta porque absorve energia; enquanto a branca esfria porque reflete toda energia que recebe. Como a cor é uma das formas de manifestação de energia, cada orixá está relacionado a uma ou mais de uma cor, a depender da essência energética que carrega em si. Oxalá é o orixá frio que se veste de branco, a “cor da luz”, que é assim considerada pelo fato de refletir todos os raios luminosos, característica que faz com que o branco possua o máximo de clareza, sendo considerada a cor da “Verdade” advinda da Iluminação. É a cor da generosidade por receber todas as cores, mas não ficar com nenhuma para si, uma vez que reflete todas. No aspecto espiritual, o branco simboliza clareza, purificação, ordem, paz, determinação, silêncio, início e renovação.

O branco é a cor da pureza que deve ser buscada por todos. É a cor da paz que sentimos ao ver o cortejo dos Filhos de Ghandi passar na avenida, ao ver a peregrinação dos devotos de Senhor do Bonfim e ao ver os baianos vestidos de branco nas sextas-feiras e nos rituais dedicados a Oxalá. Vestir-se de branco, uma vez por semana, para quem pratica a religião dos orixás é uma forma de respeitar o Grande Pai Oxalá e nos lembrarmos de todas as características que ele possui, para que possamos segui-lo na sua jornada de pureza, serenidade, paciência e generosidade. Que nesse novo ano que se inicia, nossa jornada tenha a busca do divino, como fazem os devotos de Senhor do Bonfim, a paz e alegria dos Filhos de Ghandi e a determinação silenciosa de Oxalá.

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