Ibadan.

 

IBADAN: 

O resplandecer de Ibadan está diretamente ligado à queda de Oyó, o reino de Xangô.

Desde o início dos anos 1800, Oyó enfrentava tanto inimigos externos, quanto insurreições internas. Os problemas culminaram com a revolta dos egbás, que declararam independência negando a soberania de seu líder. Lisabi Agbongbogbo Akala.

Em 1818, Abomey também se rebelou: resolveu não pagar mais tributos ao Alaafin de Oyó. Foi o estopim. A partir de então, outras cidades que eram submissas, parceiras, ou aliadas do império de Oyó, deflagaram guerra buscando independência.

A soberania regional de Oyó e seu poderio militar ruíram.

Segundo historiadores locais, um dos fatores decisivos para a queda de Oyó, foi a  Fo Afonjá (o chefe militar) e Aolẹ Alaafin (o imperador). Aolẹ Afonjá havia determinado que Afonjá atacasse a cidade de Iwere-Ile (uma cidade iorubá e casa materna de Alaafin Abiodun). Contudo, a ordem desatendida por Afonjá, o que gerou um clima de desconfiança entre Aolẹ e Afonjá. O incidente acabou resultando em um confronto direto. Afonjá voltou seu exército contra Oyó com a ajuda dos Fulanis (etinia que ocupava Ilorin), objetivando a derrubada do Alafin.

Era 1827: Oyó foi totalmente destruída, e um novo local foi solicitado em Ago-Oja para formar uma nova Oyó.

Logo depois, Afonjá foi assassinado graças a uma intriga política que se seguiu em Ilorin.

Com a destruição de Oyó, não havia mais um sistema de defesa central ou unificado. Deu-se então uma enorme e radical mudança no sistema de poder nas terras iorubás.

Surgiram então quatro diferentes blocos de poder: foram constituídas duas potências militares, uma potência econômica e uma potência confederada (multi-reino).

Além disso, várias outras novas cidades e comunidades foram formadas para cuidar das centenas de milhares de refugiados iorubas devido às guerras e destruições

Em 1885, com interesses econômicos e estratégicos, a Grã-Bretanha mediou um acordo de paz entre os diversos líderes locais, fazendo uma trégua nas terras iorubas.

Surgiram então novos poderes políticos regionais na iorubolândia, como: Ilaye (potência militar que gravitava em torno de Kurunmi), Egba (uma espécie de confederação, que agregava diversos reinos independentes não pela força militar, mas pelo poder da industrialização, da educação e pela unidade da fé católica), Ijebu (potência econômica favorecida pela sua localização geográfica que a transformou em uma importante rota de comércio entre Lagos e diversas outras cidades e aldeias iorubanas) e Ibadan.

Ibadan transformou-se rapidamente em uma potência militar, que destacou grandes generais (Baxorun´s), como: Oluyọle, Ọdẹrinde, Ojo, Ogunmọla, Latosisa, entre outros.

A Ibadan moderna surgiu em 1829, após a queda de Oyó.

A população de Ibadan foi engrossada com a chegada de inúmeros refugiados de várias cidades e vilarejos iorubas. 

Em 1850 a população de Ibadan já havia crescido para mais de 250.000 habitantes.

Esses fatores rapidamente tornaram Ibadan no mais importante cidade ioruba; um grande centro de poderio militar, onde as pessoas deslocadas da guerra se abrigavam. Apesar disso, jamais preencheu o vácuo deixado por Oyó.

O nome “Ibadan”, deriva da expressão “Ìlú Èbá-Odàn”, que significa “a cidade na junção entre a savana e a floresta densa”.

A cidade de Ibadan foi criada pelo Jagun (comandante-em-chefe) Lagelu, um comandante de Ilê Ifé.

Segundo a lenda local, assim que fundou Ibadan, o Jagun Lagelu e seus súditos foram para lá e viveram em paz por muitos anos. Até que um terrível incidente aconteceu.

Conforme conta Isaac Babalola Akinyele, falecido Olubadan, em seu livro “Iwe Itan Ibadan” (a verdadeira história de Ibadan), obra de 1911, certa vez alguns indivíduos despiram Egungun em Ibadan e o levaram ao mercado imponde-lhe humilhações diante de mulheres e crianças.

O fato violava a tradição ioruba, que recomendava que os Egunguns deveriam ser reverenciados com respeito por serem antepassados mortos.

Quando Sango, o Alaafin de Oyo soube do incidente, teria ordenado a destruição de Ibadan.

Lagelu já era velho a esta altura, e não teve como conter os invasores que sobreviveram ao ataque, fugiram para uma colina próxima e lá se mantiveram vivos durante semanas consumindo frutas, inhame, caracóis e comendo papa de milho branco.

Depois Lagelu e seu povo descem a montanha e fundam novamente Ibadan, que logo prospera.

Até hoje é celebrado anualmente o festival Okê Ibadan (montanha de Ibadan) no bairro de Beere, situado no alto da colina,  quando milhares de pessoas sobem o morro e revivem a saga de Lagelu, fazendo rituais de fertilidade e rendendo homenagens aos ancestrais fundadores da cidade e também rendem culto a Yemanjá.

Ibadan ainda teria sido atacada em outras três vezes.

Ibadan era uma cidade ioruba que adotou um sistema político diferente dos modelos existentes.  Ibadan não tinha Oba (rei). Ao invés disso, dividiu o poder em quatro altos cargos (2 militares e 2 civis): posteriormente chamado de “Olubadan (senhor de Ibadan)” civil; chefe da cidade;“Balogun” mais tarde “Baṣọrun”; líder militar;“o segundo no comando militar; e“Iyalode”; também civil, líder mulheres, cargo administrativo poderoso.

O sistema foi aperfeiçoado. Instituiu-se então uma regra para que alguém pudesse assumir o cargo de chefe da cidade (Olubadan). Para tal, havia dois caminhos: a carreira como Otun (auxiliares civis administrativos) e a carreira de Balogun (chefia militar). Cada qual dessas duas linhas, tinha 23 etapas hierárquicas para serem cumpridas por quem aspirasse ser o Olubadan.

Não havia preponderância entre militares e civis, ou vice-versa, no momento da indicação. Qualquer das duas linhas sucessórias, poderia se tornar o Olubadan, bastando ser mais antigo em seu cargo.

O Olubadan só era substituído em caso de falecimento, incapacidade ou por remoção.

Outros títulos militares importantes eram: Ekerin, Elarun, Ekefa, respectivamente chefes da quarta, quinta e sexta divisões militares.

As mais significativa delas, se deram em 1936 e 1976, quando o Olubadan se tornou um membro permanente do Conselho de Estado ocidental Obas e chefes.

Existem vários títulos por casa ou composto, o mais comum é Mọgaji-chefe da família. Os altos chefes e Mọgajis exerceu as funções cívicas, que permitiu que os indígenas acessada a terra e para exercer seus direitos civis.

Ibadan, sob a liderança de Oluyole desempenhou um papel importante na iorubolândia. Oluyole era neto de Alaafin Abiodun (através Agbọnyin, filha de Abiodun).  Ele lutou várias guerras, derrotando Ijebu, Owu e Egbá.

A guerra contra os egbas foi considerada como um divisor de águas na política pós Oyo. A derrota dos egba na batalha travada em Ipara, levou Ibadan a assumir várias cidades, incluindo Egba Ibadan.

.Consequentemente, Oluyọle Arẹago líder de Ibadan, recebeu o título Osi-Ona-Kankan-Fo (o Generalíssimo) de todas as terras iorubás.

A iorubolândia após a queda de Oyó, havia perdido os reinos Igbomina e Ekiti; Akoko estava ameaçado; Ogbomoxo, Edé e Iwo estavam sendo atacados pelos Fulani.

Em 1840, Ibadan derrotou os Fulani e ordenou o retorno destes a Ilorin. Porém, o erro militar foi não terem os ibadanos escoltado os fulani até Ilorin. Com isso, os fulani acabaram se estabelecendo ainda em terras iorubanas, sem retornar todo o contingente a sua terra de origem.

Entre 1819 e 1820, os britânicos anexaram Lagos e em 1860 criaram o Protetorado do Sul, a fim de garantir os interesses comerciais da Companhia Real do Níger.

A criação do Protetorado do Norte pelos ingleses, deu-se já com a fusão em 01 de janeiro de 1914, levando à formação da Nigéria.

Destacaram-se como grandes líderes ibadanos no século XIX: Ibikunle,Baṣọrun Ogunmọla, Baṣọrun Latosisa Baṣọrun Latosisa e a Iyalode Ẹfunṣetan Aniwura. Iyalode Ẹfunṣetan Aniwura.

Entre 1860 e 1885, Ibadan envolveu-se em cinco guerras diferentes simultaneamente. In 1877,  Ibadan foi à guerra contra Egba / Ijebu que atacaram comerciantes de Ibadan, quando vindos de Porto-Novo.

Os Ijesa / Ekiti aproveitaram o momento e em 1878, atacaram territórios ibadanos; Ibadan então declarou guerra à Ijesa e Ekiti.

O conflito entre Ibadan / Ijesa e, Ekiti durou dezesseis anos, sendo esta considerada a pior guerra na iorubá.

As guerras se alastraram pelas terras iorubas. Os conflitos entre reinos aliados e entre históricos inimigos, eram fomentados por nações colonialistas, levadas unicamente por seus interesses. Toda a irubolândia estava em chamas.

Este quadro só mudou nos idos de   1884,  quando a divisão da África já estava em curso. Os britânico, para evitar a solidificação dos franceses e dos alemães na região, e passaram a participar ativamente na solução dos conflitos, através  da Sociedade Missionária da Igreja (CMS) liderada por Samuel Johnson, Charles Phillips e o governador de Lagos, Maloney. Em 1886 começou a regressar a paz à terras iorubas, após muitas décadas de conflitos.

A partir de então, iniciou-se um processo de paz e de reconciliação entre os grupos iorubas em conflito (Ibadan, Ijesa / Ekiti, Egba, e Ijebu).

Agora quem mandava na África eram os europeus e os conflitos mais significativos daquele momento, eram motivados pela busca de rotas comerciais.

Os britânicos atacaram Ijebu em 1892 para abrir rota de comércio e Oyo, em 1895. A derrota de Ilorin para Companhia Real do Níger foi em 1897.

Ibadan maintained its influence and dominance on Yoruba, and for years, it became the political and administrative headquarters of Yoruba landIbadan em 1893, tornou-se protetorado britânico, mas ainda manteve sua influência funcionando como a sede política e administrativa das terras iorubás. Even, if today’s politics have changed the dynamics of Yoruba nation, Ibadan will always be remembered for its roles in shaping, and creating a new Yoruba nation in 19 th century.

A partir do século XX a iorubolândia foi completamente sufocada pelos ingleses e seu poder colonialista.

Atualmente, Ibadan é a capital do Estado de Oyó. É a maior cidade em área geográfica (3,080 Km2); e a terceira maior cidade nigeriana em população, contando com mais de 3,8 milhões de habitantes, só perdendo para Lagos e Kano. Em seu território, que fica no sudoeste da Nigéria, desenvolveu-se um importante centro industrial e comercial.

 

Ibadan será sempre lembrada por seu importante papel na formação de uma nação ioruba do século XIX.   Rio, 08 de fevereiro de 2012.

Márcio de Jagun

1 comentário

  1. Temos sempre muitas dificuldades para levantar dados sobre as cidades africanas, seja pela falta de registro, seja pela precariedade e raridade das fontes.

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