ORIXÁS X DEMÔNIOS: BATALHA CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA. Artigo Pai Marcio de Jagum, parte final.

ORIXÁS X DEMÔNIOS: BATALHA CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

DAS CONCLUSÕES:

Como vimos, Orixás não são demônios, nem coisas que o valham. Esta associação é histórica, antropológica e religiosamente incorreta. Além disso, desrespeita frontalmente valores sagrados das Religiões de Matrizes Africanas.

Tais afirmações, através de meios de comunicação, incitam a violência, a intolerância e ferem a legislação brasileira, bem como a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Coibir esse quadro de ofensas diárias e agressões infindáveis aos valores religiosos Afro Brasileiros, torna-se muito importante para que nossa sociedade seja mais harmoniosa e justa.

Vale a pena refletir sobre as palavras do médico sanitarista e escritor Dr. Dráuzio Varella sobre o tema:

“…Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?

O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome d’Ele sejam cometidas as piores atrocidades.

Os pastores milagreiros da TV, que tomam dinheiro dos pobres, são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares, porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus seriam considerados mensageiros de satanás.

Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes nos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.

O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade — quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.”

(http://drauziovarella.com.br/drauzio/intolerancia-religiosa/ )

             

A intervenção do Estado neste caso, é necessária também como medida educativa  para que os diferentes passem a conviver melhor e a respeitarem-se independentemente de suas convicções religiosas.

Cada Religião e cada religioso deve sim combater o mal. Mas tal batalha precisa ser travada exclusivamente no campo da moral, da ética e da civilidade.

Por isso, é fundamental que durante as pregações, cultos, expressões culturais, manifestações públicas e através dos meios de comunicação, não sejam usadas expressões pejorativas, desrespeitosas e ofensivas ao credo alheio – como associar Orixás ao demônio.

É momento inadiável do Estado tutelar esse Direito fundamental, a fim de pôr fim ao preconceito e a violência contra a liberdade de credo.

É hora das autoridades públicas reverterem esse perigoso quadro, antes que o Brasil passe a viver os dramas do sectarismo que nos assombra em exemplos belicosos pelo mundo afora.

Rio, 27/10/13.

Márcio de Jagun

ori@ori.net.br

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