OS QUATRO ELEMENTOS: O MUNDO EM QUATRO PARTES

Os yorubás concebem o mundo por uma quadríade, esta composta sempre por dois pares.

A vida só é possível a partir da união dos pares: homem/mulher, dia/noite.

Quatro gomos (dois pares unidos) constituem o obi abata (fruto sagrado dos Orixás). Também quatro as fases da lua, os elementos da natureza e os pontos cardeias (Ìlà-òrùn – O Leste, Ìwò-òrùn – O Oeste, Àrìwà – O Norte e Gúúsù – O Sul) .

Os principais odu, são em quatro: Odù Agba – Ogbè Méjì – Òyèkù Méjì – Ìwòri Méjì – Òdi Méjì. que representam os quatro elementos que formaram o mundo, terra, ar, água e fogo. O mundo foi criado em 4 dias, conforme o mito yorubá.

Os deuses primordiais à gênese também são em número de quatro: Olorun, Obatalá, Odudua e Exu.

O número dos odus básicos é 16, que é o resultado de dois pares multiplicados (4 X 4).

Foi da relação entre os elementos que surgiram os deuses primordiais.

Em nosso ser, guardamos fragmentos dos quatro elementos: água, ar, fogo e terra.

A água está presente em cerca de 80% do corpo humano, bem assim em todos os nossos alimentos, como as verduras, os animais e as frutas.

Este elemento representa a vida, a própria fecundidade. Por isso concentra em si a energia feminina.

A terra é a fertilidade. É também um elemento feminino. A terra significa a fonte de onde os seres encontram sustento e o alimento. Nela o homem se estabelece e pode exercer seu destino. No corpo humano, a terra é expressada pelos ossos.

O fogo sempre existiu e sempre esteve presente em torno do homem, na lava, nos raios do sol, nas descargas elétricas naturais. Só que este elemento teve que ser descoberto. Neste momento, surgiu o poder. Quem dominava o fogo passava a exercer poder sobre o outro. Poder de criar, de transformar e de destruir. Lidar com o fogo é sempre ambíguo: ele pode agregar (em torno dele as pessoas se reúnem e se constituíram as primeiras sociedades), mas ele também é perigoso e poder ferir (é o elemento das guerras e da violência).

O fogo está no corpo humano através das descargas elétricas cerebrais provocadas pelos neurônios e elétrons. Por isso é associado à chama dos pensamentos, o forno de idéias. Ele é o maior símbolo da consciência e do livre arbítrio. Saber utilizar o fogo com sabedoria pode significar progresso, ou destruição. O fogo é um elemento masculino.

O quarto elemento é o ar. Do sopro da vida surgiu o primeiro ser individual, Exu Iangui.

O ar é também um elemento masculino. É o símbolo da divindade. Assim como Olorun, ninguém o vê, nem o toca, nem o prova; mas todos sentem sua presença em si, quando enchem o pulmão. Olorun e o ar estão sempre em nós percebamos ou não, queiramos ou não.

Por ser etéreo, só os mais sensíveis e sábios conseguem senti-lo e valorizá-lo. Quase imperceptível, o ar é não menos poderoso que os outros elementos e também vital para a existência dos seres.

Os Orixás possuem energias ligadas aos elementos da natureza. Vejamos aqueles cultuados no Brasil: Nanã Buruku, Iemanjá, Oxum, Ewá, Oyá, Oxumarê e Obá, são divindades ligadas ao elemento água.

Ogun, Oxossi, Iroko, Ossãe e Logun, são associados ao elemento terra.

Ao fogo, integram-se Xangô e Exu.

Ao elemento ar, estão coligados Oxalá, Tempo e Oxaguiã.

Todos os quatro elementos da natureza estão em nós e em torno de nós. Eles são indissociáveis e fundamentais à vida.

Márcio de Jagun

Babalorixá, escritor, professor universitário, advogado e apresentador do Programa Ori (ori@ori.net.br)

 

 

 

 

 

 

Uma resposta

  1. ” Os deuses primordiais à gênese também são em número de quatro: Olorun, Obatalá, Odudua e Exú.”

    Particularmente discordo, pois as quatro divindades primordiais, dentro do conceito filosófico iorubá, são: Olorun, Obatalá, Orunmilá e Exú. Estando esses vinculados as três princípios metafísicos que regem o universo, que são: iwá, abá e axé. Essas três forças são detidas por Olorun, que as compartilha com as outras três divindades.

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