WÈRÈ – A LOUCURA. Texto Babalorixa Marcio de Jagun

WÈRÈ – A LOUCURA:

O conceito ioruba de doença mental (wèrè) é intrigante. Os iorubanos acreditam que as doenças mentais podem ser de três tipos diferentes, de acordo com as pesquisas de Odebiyi e Ogedengbe (1995): ‘Were’ is classified into three categories – ‘wereas ìran (hereditárias: herdadas geneticamente), as àmútọ̀runwá (sobrenaturais: causadas pela ira das divindades ou por feitiçarias) e as àfisè (naturais: originadas por acidentes, aflições ou traumas).

O Prof. Samuel Jegede da Universidade de Ìbàdàn-Nigéria (1994), por sua vez, seleciona seis fatores que podem levar à doença mental: For instance, Ogedengbe (1986) in her study of two mental àìsùn (insônia), àìwọ́ (restlessness), aije (inability to eat), aimu (inability to drink), aito (inability to(agitação), àìjẹ (incapacidade de comer), àìmu (incapacidade para beber), àìtọ̀ (incapacidade de urinate), and aisu (inability to defecate) (Jegede 1994, 1996). urinar), e àìṣu (incapacidade para defecar). Segundo ele, “…há um processo de interação entre essas variáveis, ​​em que uma atividade leva à outra. Mas um colapso da interação levaria à desordem social, e isso é intensificado pela inquietação (àìwọ́(restlessness), aije (inability to eat), aimu (inability to drink), aito (inability to), que os iorubas consideram como o principal de todas as doenças.”

A filosofia ioruba The Yoruba people have good knowledge of body anatomy.believe that human body is composed of several parts – ori (head), oju (eye), apaacredita que o corpo humano é composto por vários elementos, cada qual exercendo importantes e distintas tarefas (embora complementares) ao longo da vida; sendo as mais relevantes: orí (cabeça), ojú (olho), apá (hand), ese (leg), eti (ear), imu (nose), enu (mouth), etc. (Jegede 2000) and that(braço), ẹsẹ̀ (perna), etí (orelha), imú (nariz), ẹnu (boca). Mas é o satisfatório equilíbrio entre essas “peças” do corpo que garantem a boa saúde ao organismo com um todo.

O conceito ioruba de “saúde” decorre então da harmonia entre as partes do corpo humano. Porém, a parte mais importante de todas é Orí (a cabeça), por ser ela a responsável por coordenar as demais. Logo, se o Orí está doente, frágil, ou desestabilizada, poderá danificar consequentemente os outros elementos corporais que lhe estão subordinados.

Nesta perspectiva, se nosso fígado vai mal, significa que nossa cabeça nos levou a beber demais; ou se nosso estômago funciona mal, possivelmente nossa cabeça nos levou a comer algo prejudicial; e assim sucessivamente.

Entre os iorubas, não havia nenhum instrumento para diagnosticar as doenças. Como relata Osunwole (1989): “Os métodos tradicionais de diagnóstico são os de examinar a totalidade do man with reference to his biological, spiritual, psychological as well as social homem com referência à sua biologia, a parte espiritual, psicológica, bem como as sociais.”

Historicamente, os tratamentos nas sociedades iorubas cabiam aos bàbálósányìn (herbalistas), ou aos bàbáláwo (consultores do Oráculo de Ifá).make-up” (Osunwole

As discrepâncias entre as técnicas e a disputa pelo status social, criou uma grande rivalidade entre os bàbálósányìn e os bàbáláwo.

Mas de fato, neste aspecto, os bàbáláwo eram mais requisitados. Afinal, a consulta ao Oráculo funcionava como “instrumento de diagnóstico”.

Partindo-se do pressuposto filosófico ioruba de que, após a escolha do destino, os Seres Humanos são induzidos ao esquecimento, apenas através da adivinhação é possível obter dicas sobre nossa sina. E somente o Ẹlẹ́rí Ìpín (Once in this world the only way for the individual, who is ignorant of his”Testemunha do Destino“) – um dos títulos de Ọ̀rúnmìlà, é capaz de nos relembrar dessas escolhas, mediante a comunicação feita por Èṣù no jogodivine plan to the inquirer through trained diviner (Payne 1992)..

Desta forma, o Oráculo pode revelar qual a situação do consulente: se trata-se de um ataque espiritual; se é caso de uma doença curável, enfim. E, a partir de então, determinar qual o tratamento a ser aplicado.

Geralmente os tratamentos de wèrè hereditária não obtinham bons resultados. A terapia para a cura de wèrè envolvia encantamentos, sacrifícios e rezas. O objetivo do tratamento era trazer o paciente de volta à sua consciência. Para eles, os ọfọ̀ (encantamentos) serviam para controlar a mente e os pensamentos dos enfermos, ajudando-os a retornar à realidade.

Vale dizer que nem sempre era possível a cura completa de wèrè, seja pelas avançadas condições da enfermidade, seja pela pouca capacidade de reação do Orí, seja pelas características da doença. Esses limites, eram mencionados pelos terapeutas, fossem bàbálósányìn, ou bàbáláwo.

Após a análise feita sobre os Ajogun e sobre Elénìnì, podemos seguramente inferir que wèrè, a loucura, pode também ser decorrente da ação dos dois anteriores em todas as suas formas de expressão, peculiaridades e atuações.

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Márcio de JagunThe content of the therapy is not yet explicitly understood as it sometimes

ori@ori.net.br

 

 

 

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